A última velha do mundo
A única que resta viva
Velha como a natureza e a vida quis.
Descobriram o elixir da longevidade
Nalgum laboratório de alguma cidade
Mataram-se uns aos outros para o tomar
E viverem mais e mais
Do que a natureza e a vida permitem
E roubarem e matarem mais e mais
O ladrão que veio para a roubar
Veio em vão
Ali não havia elixir da eterna juventude
Só a teimosia de viver muito e viver bem
Em paz com a irreversibilidade do tempo
E a novidade de cada dia
Furioso, o ladrão tentou arrancar-lhe o segredo
Que só a ela pertencia, proeza não cumprida
Não o encontrou porque não o compreendeu
A fúria foi-lhe fatal
Morreu com um ataque cardíaco
Na flor da idade
A velha continua velha e viva
E os dias continuam a envelhecer com ela…
São
Ludovino, 18/10/2023

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