TECEDEIRA
Tanto tempo passado na penumbraAlvoradas cinzentas e tardes frias
Tantos raios de sol perdidos
Na labuta que não deixa ver
Respirar, absorver a gota mais vulgar
Da luz de cada dia
Que pródiga e constante
Passa sem passar
E o cansaço que tolhe os dedos
Enquanto acrescenta a manta
Pesa nas pálpebras e chama o sono
E o sono que que leva as mãos
Em inesperada direcção
Abre as cortinas cerzidas da velha janela
E o sol que nasce e se põe intromete-se
Na cadência dos movimentos do tear
Quebrado o automatismo do labor
Cada raio de luz se quebra e requebra
E entra nas malhas milenares do ofício
De entretecer o mundo com a luz de existir
São
Ludovino, 18/10/2024

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