SANGUE-DE-DRAGO
Somos doze
sobre esta mesa, tão extensa para os nossos olhos cansados.
Mal vemos quem está ao nosso lado
e, quando vemos, ficamos muito tempo a olhar,
até que a estranheza se desvaneça um pouco.
Liga-nos o amor ao linho azul e gasto que a cobre.
Temos um palco exíguo para o nosso corpo:
o prodígio que veneramos quando somos cúmplices,
mesmo que distantes,
da grande civilização,
e esquecemos que o prazer é um estado de corpo e alma.
sobre esta mesa, tão extensa para os nossos olhos cansados.
Mal vemos quem está ao nosso lado
e, quando vemos, ficamos muito tempo a olhar,
até que a estranheza se desvaneça um pouco.
Liga-nos o amor ao linho azul e gasto que a cobre.
Temos um palco exíguo para o nosso corpo:
o prodígio que veneramos quando somos cúmplices,
mesmo que distantes,
da grande civilização,
e esquecemos que o prazer é um estado de corpo e alma.
Temos um cálice efémero
para tanto sangue ardente.
Temos uma redoma sagrada
para fazer soar um suspiro colectivo,
de cada garganta, incomunicável.
Temos um rio cujas margens são diques num oceano,
para pescarmos peixes prateados,
que podemos sacrificar ou devolver à eternidade dos ciclos,
num dos dias dos nossos aniversários.
Temos onze irmãos cada um;
contudo, não tenhamos ilusões:
somos apenas doze ilhas mortais perdidas no imenso caos...
E antes da vida eterna, procuramos a felicidade eterna
para cada momento das nossas vidas...
Somos apenas enormes demais para sermos sós...
Como não temos um guia perfeito e generoso,
esperamos tudo uns dos outros:
o que temos e o que não temos,
o que damos e o que não damos,
os sonhos e a realidade,
o possível e o impossível...
para tanto sangue ardente.
Temos uma redoma sagrada
para fazer soar um suspiro colectivo,
de cada garganta, incomunicável.
Temos um rio cujas margens são diques num oceano,
para pescarmos peixes prateados,
que podemos sacrificar ou devolver à eternidade dos ciclos,
num dos dias dos nossos aniversários.
Temos onze irmãos cada um;
contudo, não tenhamos ilusões:
somos apenas doze ilhas mortais perdidas no imenso caos...
E antes da vida eterna, procuramos a felicidade eterna
para cada momento das nossas vidas...
Somos apenas enormes demais para sermos sós...
Como não temos um guia perfeito e generoso,
esperamos tudo uns dos outros:
o que temos e o que não temos,
o que damos e o que não damos,
os sonhos e a realidade,
o possível e o impossível...
Não nos atrevemos a pôr
os pés no chão;
esta mesa é a nossa dimensão aceitável da realidade...
Apertamos as mãos uns dos outros, desesperadamente...
Colocamos aquela mão sobre o espelho do nosso peito
para ver se é igual à imagem que reflectimos...
Tanto medo que temos de ficar só com as imagens
inalteráveis e sedentas dos nossos espelhos...
Os pregos que estão espalhados pela alcatifa
são de sisal branco, são esferas de neve pontiagudas.
Hesitamos em medir a espera e a fadiga,
Não sabemos se fazê-lo em milímetros, minutos ou pulsações...
A esta mesa incomensurável esperamos a partilha do pão e do vinho,
o momento da suprema transparência,
o momento da união...
Somos apenas doze...
Quase nos podíamos entender...
esta mesa é a nossa dimensão aceitável da realidade...
Apertamos as mãos uns dos outros, desesperadamente...
Colocamos aquela mão sobre o espelho do nosso peito
para ver se é igual à imagem que reflectimos...
Tanto medo que temos de ficar só com as imagens
inalteráveis e sedentas dos nossos espelhos...
Os pregos que estão espalhados pela alcatifa
são de sisal branco, são esferas de neve pontiagudas.
Hesitamos em medir a espera e a fadiga,
Não sabemos se fazê-lo em milímetros, minutos ou pulsações...
A esta mesa incomensurável esperamos a partilha do pão e do vinho,
o momento da suprema transparência,
o momento da união...
Somos apenas doze...
Quase nos podíamos entender...
Suy / São Ludovino, 7/5/1985
Joined by the root, photography by São Ludovino.
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