quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Palavras Antigas - XXVIII


INEXISTENTE COMUM

O cidadão comum nunca existiu

É uma comodidade
Uma necessidade
Que as palavras permitem satisfazer.

Por conveniência secundária

Todos se consideram cidadãos comuns
Hoje, ontem, amanhã ou todos os dias
Ou porque convém aos decisores e às estatísticas
Ou porque serve de atenuante em inúmeras acusações
Excessos, suspeitas, reticências e evidências
Ou por pura extravagância de alguns privilegiados
Que nunca tiveram o privilégio inato de serem comuns
Banais, irrelevantes e imputáveis. 

Comuns são as desgraças

Batem a todas as portas
Sem perguntar
Estás aí?
Sem perguntar
Se queres ser comum…

Comuns são as contradições

E ninguém o sabe melhor do que tu
Que ora queres ora não queres ser quem és
Se ganhas ou perdes
Se és melhor ou pior
Se vives ou morres
É uma variação que conheces
E escolhes ser ou não ser
Comum
Como se a escolha fosse deveras tua
E só tua…

Suy / São Ludovino, 10/6/1992 


Album cover - Monkey in a Cage by ©The Driven.
Painting by ©George Underwood.



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