INEXISTENTE COMUM
O cidadão comum nunca existiu
É uma comodidade
Uma necessidade
Que as palavras permitem satisfazer.
Por conveniência secundária
Todos se consideram cidadãos comuns
Hoje, ontem, amanhã ou todos os dias
Ou porque convém aos decisores e às estatísticas
Ou porque serve de atenuante em inúmeras acusações
Excessos, suspeitas, reticências e evidências
Ou por pura extravagância de alguns privilegiados
Que nunca tiveram o privilégio inato de serem comuns
Banais, irrelevantes e imputáveis.
Comuns são as desgraças
Batem a todas as portas
Sem perguntar
Estás aí?
Sem perguntar
Se queres ser comum…
Comuns são as contradições
E ninguém o sabe melhor do que tu
Que ora queres ora não queres ser quem és
Se ganhas ou perdes
Se és melhor ou pior
Se vives ou morres
É uma variação que conheces
E escolhes ser ou não ser
Comum
Como se a escolha fosse deveras tua
E só tua…
Suy / São Ludovino, 10/6/1992
Album cover - Monkey in a Cage by ©The Driven.
Painting by ©George Underwood.

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