QUERIAM-TE MAIS BELA
Eras bela tal como erasMas queriam-te mais bela
Arrancaram-te a natureza
E vestiram-te de metal.
Queriam-te mais bela do que a realidade
Anatomizaram-te os contornos
E a superfície de lago que ama a lua e o sol
Entregaram-te ao sábio virtual que não distingue o bem do mal
Para te multiplicar em falsificações e hologramas inéditos.
Ouviram-te falar e subtraíram-te a alma
Ouviram-te cantar e levaram-te a voz quase intacta
Para dentro da máquina-esconderijo-estetoscópio
A câmara de eco onde a música morre antes do canto.
Agora acham-te mais bela do que a beleza
Dispensaram-te, baniram o original
Amam-te somente com sacra veneração
Por intermédio da cópia plastificada, divinizada
Cuspida da goela profunda de cada vez que carregam no botão…
São Ludovino, 19/3/2025
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