quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Palavras Novas - XLVII

PALETA HUMANA


A cor humana não tem cor
Tem tonalidades humanas
Mesclas de vidas naturais, reais
Sonoridades de línguas e dialectos
Ecos de certezas, dúvidas e profecias
Laivos de sabedoria e ignorância
Matizes de crenças e descrenças
Pigmentos de ladainhas, unguentos e mezinhas
Camadas de tradição, superstição e ciência
Pinceladas de imaginação e memórias
Palimpsestos de História e invenção
Borrões de sangue, seiva, correntes e despojos
Gradações de servidão e liberdade
Aromas que nem todos os ventos conhecem
Sabores de muitas terras encontradas ou perdidas
Paladares só entendidos com sorrisos
Por quem cresceu onde foram inventados

Mudaram-se os tempos, as vontades
Os interesses e a verdadeira natureza das coisas
Proibiram que se chamasse raça
Às cores humanas do mundo
Como se fosse um insulto, como se o indistinto
Fosse mais verdadeiro do que o singular
Como se o mundo fosse todo preto e branco
(Enquanto inventam novos rótulos, seitas, quotas
Categorias, redutos, privilégios e discriminações
Géneros, subgéneros, micro-fantasmas e micro-fantasias…)
Em vez de verem como é natural
A paleta das cores humanas
E o orgulho que cada um tem na sua raça original
Raiz única de colectivos dispersos, entrecruzados
Na aguarela dos tempos…

Diz a ciência que encontrou o paradigma perdido…
Como se perdeu o elo com as origens
E a sabedoria da Natureza e dos animais
Unidos pela coexistência da diversidade
É ainda uma questão irresolúvel…

São Ludovino, 19/10/2024

Meaningful Dialogue by ©Jiri Borsky, 2004.



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