RENASCIMENTO
Ó céus dos meus avósEm que vogava uma eterna Arca de Noé
Mesmo que não salvasse os animais
As plantas e as sementes
Que vos davam o sustento!
Fulgi de novo sobre os campos abandonados!
Ó terra arada e regada
Com o suor e a vontade
Do ventre úbere e perene
Que vos dava a esperança e o amanhã!
Revolve-te de novo sob a crosta árida e gretada!
Ó florestas devastadas pelo fogo
Pelo cérebro maléfico do mal
Pela bocarra ávida da cobiça
E pela vasta solidão das aldeias despovoadas!
Brotai de novo das cinzas magoadas ainda quentes!
Ó águas das nascentes rochosas
Dos ribeiros libertinos e dos rios abundantes
Adormecidas nas talhas de barro
Acariciadas nas bocas sedentas!
Renascei de novo, cristalinas e impetuosas
Como o claro fio da memória!
São Ludovino, 18/10/2025
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