BIOGRAFIA ANÓNIMA
O meu nome é EspantoNão sou poeta
Nem convivo amiúde
Com as palavras.
O meu apelido é Vivo
Não respiro mais que os demais
Nem escondo os calos
De quem nunca os teve.
O tempo não me pertence
Nem sequer o que é meu
Por natureza e direito.
Começou enregelado
Numa tarde de Inverno.
Há-de acabar um dia
Quando os músculos amolecerem
E as asas me caírem de cansadas.
Cada dia começa ou termina
Com a alba, a mesma dia após dia.
As árvores dizem-me que é sempre
Outra e outra e outra
Como as contas de um colar celeste
Que trazem em si o sol e a luz
De cada novo dia.
Quem me dera acreditar nas árvores
Deitar-me sobre as ervas
Ver as nuvens desenharem promessas
No céu azul, azul, tão azul como eu
O Espanto Vivo contra todo o cansaço
E as quotidianas tempestades
Que amainam, mas não passam…
São Ludovino, 15/10/2025
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